Assim como nós perdoamos


Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.                                                                                                                                                                     Mateus 6:9-12

“Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores” pode nos passar a impressão que Deus vai nos perdoar na medida em que nós perdoamos. Ou seja, se eu muito perdoar, muito serei perdoado, se eu pouco perdoar, pouco serei perdoado.
Porém, essa compreensão é equivocada, porque me torna agente inicial e principal provocador da ação de Deus em meu favor, e portando, faz de Deus agente secundário e reagente à minha provocação. Deus já é Santo primeiro, e por isso nós o santificamos. Ele é o ator principal e d’Ele tudo provém, principalmente o perdão.

Deus sempre foi o agente principal, Ele nos perdoou antes de pecarmos, lançou a vacina antes do vírus, se sacrificou antes mesmos de sermos criados. A disponibilidade do perdão já nos era acessível muito antes de nós agredirmos o Senhor. A possibilidade da reconexão com o Pai foi desenvolvida anterior à nossa escolha de afastamento.
“Assim como nós perdoamos nossos devedores” não é uma comparação, muito menos uma exigência de que sejamos perdoados porque nós estamos perdoando.

Essa oração diz à respeito do nosso reconhecimento daquilo que Jesus fez por nós ao desvendar a possibilidade do perdão através d’Ele mesmo. É um reconhecimento de que sem o perdão a nossa existência não seria possível, e, portanto, nós manteremos o perdão presente na existência.
Se era necessário para a subsistência da criação o perdão, então existe um fluxo para a possibilidade da vida: perdão, cruz e luz. Deus nos perdoou, fez conhecida a cruz do seu sacrifício por nós, e então iniciou seus atos criativos.

Portanto, declarar e internalizar essa oração está para além de reconhecer que nós primeiro fomos perdoados. Está para além de reconhecer que nós precisávamos do perdão, e assim, é também uma admissão de culpa. Esta oração é para desenvolver em nós que o fluxo do perdão deve ser mantido, é para nós perdoarmos aos que nos tem ofendido à exemplo, na mesma medida, em que Deus nos perdoou quando O ofendemos.
Essa oração significa então: porque fomos perdoados, assim permaneceremos perdoando os nossos devedores para que o fluxo do perdão, que mantém a criação em vida, continue nos mantendo vivos.

O perdão é sagrado! O perdão é o ato primeiro do amor de Deus, é a consequência da manifestação do amor de Deus por nós. Jesus lançou sobre nós perdão antes mesmo de reconhecermos a necessidade que tínhamos de sermos perdoados e de como a nossa vida depende disso.

Quem precisamos perdoar hoje?

 

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