PERGUNTAS E RESPOSTAS

Em busca de responder aos questionamentos gerados no primeiro “Jejum e Bíblia em Família” nos debruçamos à fim de chegar à algumas conclusões. Elas não são estressadas, mas expressam um pouco do que pensamos.

Se utilize da reflexão e do texto do capítulo 9 de Neemias para lhe auxiliar à compreender um pouco mais sobre quem Deus é:

1 – As calamidades que a humanidade enfrenta, são demonstrações de que Deus está castigando a terra?

Não podemos ter uma conclusão exata sobre quais as causas das calamidades que acometem a terra. Muito se diz sobre estarmos vivendo o fim dos tempos descrito em apocalipse, outros também dizem ser juízo e ira divina. Porém, há muitas divergências sobre tais conclusões. Não podemos afirmar com certeza sobre as origens das calamidades, entretanto, em Romanos cap. 1 há a descrição do juízo de Deus nos deixando à própria sorte, isso é, como que nos dando liberdade para praticarmos o que quisermos, e nos deixar entregues para sofrermos as consequências das nossas más escolhas.

Portanto, não podemos concluir que as causas das calamidades são a própria vontade de Deus ou não, porém sabemos que ele permitiu seu juízo sobre a terra sendo fiel à Sua palavra, de que nós sofreríamos as consequências das nossas más escolhas. Também não podemos afirmar que Deus ou satanás causaram os males que sofremos, mas podemos afirmar que eles são consequências dos nossos pecados. Assim, independente das causas, a nossa postura deve sempre ser a de nos arrependermos.

2 – Independente das causas das calamidades, como capítulo 9 de Neemias ensinam que devemos nos portar?

O cap. 9 de Neemias nos mostra que os males que vivemos são consequências do nosso pecado. Não simplesmente o pecado individual, mas da nossa situação humana de pecado, de divisão com Deus.

Ele nos alertou que se nós pecássemos, morreríamos. Deus nos alertou que devido às nossas escolhas de, nos distanciarmos e nos separarmos Dele, perderíamos a vida, entraríamos em colapso, desequilíbrio, e assim, toda a terra reflete e sente, as consequências deste ato/escolha que persiste desde Adão.

Deus se mantém fiel ao que nos propôs!

Por isso, independente das possíveis causas (seja o diabo, o próprio Deus, ou nossas más escolhas), todas elas são consequência do pecado (pecado enquanto situação humana e não pecados individuais apenas). E por isso não nos cabe outra atitude e consciência, senão a de nos arrependermos dos nossos pecados individuais, sistêmicos, e de toda a história da humanidade.

3 – Por que o povo ao retornar para seus lares, se cobriu com pano de saco, lançou terra sobre a cabeça e se puseram à jejuar?

Vestir-se de panos de saco, lançar o rosto à terra e cobrir a cabeça com o pó da terra é demonstrar (ou externar) uma consciência de que é pó, que é terra. É a compreensão de que é criatura e não criador, que é dependente da ação de Deus para permanecer vivo e não autônomo, é compreender de onde viemos e o que somos: pó da terra, e sem o sopro divino, ainda somos pó. É um sinal de humilhação, de reconhecimento da insuficiência.

Assim, toda essa atitude diz respeito de um reconhecimento, ao olhar para a história, de que eles (e nós) almejaram um lugar que não deveriam ocupar, buscaram viver de forma autônoma, desligados do seu Criador. Por isso jejuaram, se abstiveram de alimentos para serem sustentados apenas pela presença do Criador.

Portanto essa atitude do povo revela o reconhecimento dos seus erros (seus e dos seus antepassados) e uma busca por reconciliação, é a demonstração de uma consciência de arrependimento.

4 – Por que devemos jejuar?

Devemos jejuar para nos alimentarmos do próprio Deus.

Jejum é a abstenção voluntária das bênçãos que Deus nos dá, principalmente o alimento, como suprimento das nossas necessidades básicas, compreendendo que nossa principal fonte de suprimento não é o que Deus nos dá, mas Ele mesmo, e assim, ao abster do que Deus nos dá, geramos uma consciência de nos alimentarmos do próprio Deus e de fazer a sua vontade.

Jejuamos para ganharmos intimidade com Ele, para buscar conhece-lo mais profundamente. Jejuamos para nos colocarmos no nosso lugar de dependência e escaparmos de querermos ser como Deus, auto suficiente, supridores de nós mesmos.

Por isso o jejum também é sinal de arrependimento dos nossos pecados, pois, demonstra uma consciência que se reconhece em lucidez (como criação), e corresponde à reconciliação com Deus.

5 – Como compreendemos quem Deus é, em meio às calamidades?

Deus não é o provocador das calamidades. Certamente ele as permite. Mas temos uma compreensão ainda limitada dos seus propósitos em situações específicas. Contudo, sabemos que Deus permanece cheio de boas intenções, demonstrando seu amor, misericórdia e juízo em meio à todas as situações.

Jesus encarnou, e demonstrou um Deus que não está indiferente nas situações que geram sofrimento. Jesus encarnou um Deus que sofre com/junto daquele que padece de justiça.

Deus não é um ser que nos poupa, mas é alguém que sofre o dano!

Deus é alguém que está sempre disposto a se mostrar, e em todas as circunstâncias nos transformar, para que os seus propósitos sejam cumpridos.

Também vale lembrar o profeta Isaías que diz que o juízo de Deus tem sempre a finalidade pedagógica, do aprendizado:

“Com minha alma te desejei de noite, e com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te; porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça.”

Isaías 26:9

Em meio às calamidades, Deus está desejoso de nos fazer conhecer mais Dele.

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