De cada dia

Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia…
                                                                                                                           Mateus 6:9-11

A nossa queda, a partir de Adão e Eva, foi fruto de um engano. Não apenas da serpente em relação ao homem, mas também um autoengano. Nós nos enganamos achando que poderíamos ser autônomos em relação ao Pai, que poderíamos tomar decisões sem Ele, que era nosso direito conhecer o bem e o mal, que não precisávamos de liderança. Achamos que nós poderíamos proteger à nós mesmos e nos prover o sustento, e, que toda a criação estava sob nosso controle.

Logo vem Caim em uma atitude de total carência, e, mata seu irmão. E, após esse fato, cria uma cidade como tentativa de se proteger, de ser autônomo, mesmo Deus prometendo que ele estaria protegido.

Caim é a nossa figura. Matou Abel (figura do Cordeiro), seu irmão, assim como nós matamos Jesus (o Cordeiro), nosso irmão unigênito, através do nosso pecado. Caim somos nós, em busca de autonomia, controle e proteção, construindo vidas na confiança da força do nosso próprio braço, mas na verdade, carentes, supra dependentes, precisando de pão, de suprimento e cuidado.

Basta olhar a realidade para compreender que no fundo nós não controlamos o universo que nos afeta, apesar dos nossos esforços. Permanecemos carentes de relações, vivemos correndo atrás de comunhão verdadeira, mas sem dar a vida em troca.

O sol e a chuva são incontroláveis, o vírus não pode ser detido, a vida das pessoas que amamos depende inclusive das que não gostamos. São inúmeras variáveis das quais não temos o menor controle e das quais temos a certeza que não são frutos do acaso, e, por isso, deveria nos levar correndo de volta para a dependência do Pai.

Poderia parecer contraditório, mas, além de perceber que não conseguimos tão desejada autonomia e controle, permanecemos também carentes e necessitados de cuidado, de suprimento, de pão.

Por isso, orar: o pão nosso de cada dia, é uma constatação de que em cada dia é o Pai que nos supre, de que em cada dia a nossa vida depende da proteção, provisão de direção Dele.
Orar assim é pedir para que Deus nos tire do inferno cíclico de nós mesmos, para compreendermos que Ele é o Pão que nos sustenta, que nós não bancamos a nossa existência, que nós somos seres dependentes e interdependentes, porque oramos solicitando que algo nos seja dado todos os dias.

Quando dependemos de Deus, dependemos também uns dos outros. E assim Deus se manifesta, nos alimenta e cuida de nós como um corpo, a cada dia, nos dando e se dando como pão.

Quando reconhecemos nossa dependência diária do Pai, santificamos o Seu nome!

Bem vindo à família Deus, bem vindo ao corpo de Cristo!