Nosso
Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.
Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.
Mateus 6:6;9
Jesus ao nos ensinar a orar, recomenda que nossa oração seja direta com Deus e não um ato exibicionista. Por isso a orientação de estar sozinho, em secreto, à portas fechadas.
Mas ressalta a curiosidade de que, na oração exemplar de Jesus, ela é iniciada com: Pai nosso. Se alguém está sozinho, em um quarto fechado, por que ora proclamando à Deus como Pai nosso e não Pai meu? À quem se refere como “nosso” nessa oração diante de um ato solitário?
Jesus talvez responderia: o Pai não é seu, ele se torna Pai quando também se torna nosso, e por isso só há uma possibilidade de Deus ser Pai: quando ele também é nosso.
Quando nos separamos de Deus buscando autonomia no pecado, não rompemos apenas com Ele, rompemos com nós mesmos, porque perdemos nossa imagem e identidade, e também rompemos uns com os outros, porque perdemos a nossa semelhança. Isso é, deixamos de ser comunidade em comunhão perpétua com Deus e entre nós para nos tornar indivíduos, autônomos e independentes uns dos outros.
Essa não foi a escolha de Adão e Eva apenas, é nossa também. O pecado nos faz iguais diante de Deus. Como diz o ditado: aos pés da cruz, o terreno é plano! Todos nós somos pecadores.
Deus deixou de ter filhos. Os filhos se tornaram criaturas. E a morte penetrou a criação.
Não seria possível mais Deus ser Pai, a não ser que alguém vencesse a morte e restaurasse a identidade divina, à imagem e semelhança de Deus no ser humano.
Jesus nos deu essa possibilidade, fez de Deus Pai. Mas não fez de Deus meu Pai. Seu sacrifício não foi apenas para ele, para mim, para você, ou para alguém. O sacrifício de Jesus foi para todos aqueles que estão aos pés da cruz., foi para nós.
Por isso o Pai é NOSSO!
Na cruz Jesus não apenas recuperou a nossa imagem, mas recuperou a nossa semelhança. Nos reconciliou com Deus, conosco mesmo e uns com os outros.
Através da cruz nós fomos convidados à participar de um corpo, de uma comunhão, de uma família.
Orar é também adquirir a consciência de que o Pai é nosso, é ser incorporado nessa família de muitos filhos (porque Deus se fez Pai de muitos filhos). Orar é adquirir a consciência do próximo e que ele faz parte de mim. Jesus não quis ser filho único. Jesus é unigênito dentre muitos irmãos. Jesus quis repartir a herança.
Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus.
João 1:12,13
Bem-vindo à família!
